Síndrome do Impacto do Ombro
O termo Síndrome do impacto foi descrito por Neer em 1972. Ele caracterizou que a localização anatômica do tendão do supra-espinhoso e do tendão do bíceps braquial (dentro do sulco intertubercular) se encontra na região anterior ao arco córaco acromial. Com o ombro em posição neutra, no movimento de flexão de ombro, estas estruturas precisam passar abaixo do arco coracoacromial, dando possibilidade para impactos. Estes impactos acontecendo freqüentemente nas estruturas do ombro causam tendinites, bursites, rupturas tendinosas, dor ao elevar o ombro, fraqueza muscular, crepitação, etc.
Porque ocorre a síndrome do impacto?
Diversos fatores são citados na literatura. Geralmente ocorrem movimentos repetitivos do ombro acima de 90 graus. Estes movimentos repetitivos se somam a diversos fatores, tanto estruturais como funcionais, que aumentam a probabilidade de desenvolver a síndrome do impacto.
Fatores de risco / prevenção
A síndrome do impacto é comum tanto em atletas jovens como em pessoas da meia idade. Atletas jovens do tênis, da natação e basquetebol são particularmente vulneráveis. Também aqueles que utilizam as mãos acima da cabeça e em atividades repetitivas. A dor também pode ser resultado de um pequeno trauma ou até mesmo sem causa aparente.
Os sintomas iniciais podem ser leves. Normalmente os pacientes não procuram tratamento nas fases iniciais.
• Deve-se estar atento a dores leves que estão presentes tanto na atividade quanto no repouso.
• Pode haver dor que vai da parte frontal até a lateral do braço.
• Pode haver dor súbita ao levantar o braço.
• Atletas do tênis podem sentir dor no saque ou nos golpes altos.
A síndrome do impacto normalmente causa dor e inchaço na parte frontal do ombro. Pode haver dor e rigidez na elevação do braço. Também pode haver dor ao se abaixar o braço após este estar elevado.
Quando há progressão do quadro, pode ocorrer dor à noite. Ocorre perda de força e de movimentos. Dificuldade de colocar o braço atrás do corpo, para vestir-se. Em casos avançados, a perda de movimento pode progredir para um “ombro congelado”. Nas bursites agudas, o ombro pode estar com dor intensa. Todos os movimentos podem estar limitados e doloridos.
Quem pode ter síndrome do impacto com mais facilidade?
*Ocorre principalmente em atletas:
- Nadadores,
- Beisebol,
- Tênis,
- Vôlei,
- Basquete,
- Marceneiros;
- Metalúrgicos;
- Pintores;
- Faxineiras;
- Donas de casa;
- Domésticas;
- Sedentários;
- E qualquer outro esporte ou atividade em que o movimento do ombro acima de 90 graus seja exigido constantemente;
Qual a diferença entre síndrome do impacto e tendinite do manguito rotador?
A tendinite do manguito rotador pode ser causada pela síndrome do impacto. Manguito rotador é o conjunto de músculos que coaptam a cabeça do úmero na fossa glenóide da escápula, ou seja, eles estabilizam a cabeça do úmero para que ela possa se movimentar no espaço. A síndrome do impacto, na verdade, é uma função inadequada destes movimentos do ombro que causam impactações excessivas. Estes impactos lesionam os tendões e as estruturas ali presentes que começam a se degenerar. Se não tratado pode gerar rupturas tendinosas, que levam a uma incompetência funcional do ombro.
Quais os sintomas apresentados?
Principalmente dor ao elevar o braço, crepitação, diminuição da mobilidade do ombro, diminuição das AVD’S.
Após melhorar a dor estou curado? Não preciso mais tratar?
Não. Muitas vezes com o repouso e medicação a inflamação cede. Mas deve-se tratar para que não inflame de novo. Inflamações excessivas causam calcificações nos tendões, estas calcificações podem levar a ruptura dos tendões. Não deixe chegar a este ponto. Procure tratamento.
Quais os tratamentos utilizados?
MÉDICO:
- Medicamentoso
- Cirúrgico (somente se o tratamento conservador não obtiver efeito ou a degeneração não for passível de melhora)
CONSERVADOR:
- Osteopatia (atua na(s) origem(s) do problema)
- Fisioterapia
- Acupuntura
Qual o prognóstico?
Como em quase todas as patologias, o quanto antes procurar tratamento, maiores são as chances de cura. Se demorar a buscar tratamento, as lesões podem ser irreversíveis. Quando já existe lesão, o tratamento busca a melhora funcional e estabilização do complexo articular do ombro. Em muitos casos a dor desaparece e o paciente pode levar uma vida normal, sem maiores problemas.
Como diagnosticar?
O diagnóstico é feito pelo Médico Traumato-Ortopedista com exame físico. Raio-x e/ou Ressonância Nuclear Magnéticas podem ser solicitados para avaliar a qualidade estrutural das articulações e realizar diagnóstico diferencial com outras patologias.
Qual profissional procurar?
Inicialmente o Médico para diagnóstico e depois um Fisioterapeuta para realizar a reabilitação funcional e estabilização de todas as articulações envolvidas. Dê preferencias para especialistas em Ombro.
Opções de Tratamento
O tratamento inicial é conservador, através de repouso, evitando atividades com as braços elevados. Antiinflamatórios normalmente são prescritos. Exercícios de alongamentos para melhorar a mobilidade em ombros rígidos também podem ajudar.
Muitos pacientes se beneficiam com a infiltração de corticóide com anestésicos locais. Também pode ser recomendada uma reabilitação na fisioterapia. O tratamento pode levar várias semanas ou meses. Muitos pacientes melhoram gradualmente e retornam às suas atividades normais.
Cirurgia
Quando o tratamento conservador não alivia a dor, pode ser recomendado o tratamento cirúrgico. O objetivo da cirurgia é remover o impacto criando mais espaço para o manguito rotador. Isto permite que a cabeça do úmero se movimente livremente, elevando-se o braço sem dor. A cirurgia mais comum é a descompressão subacromial, ou acromioplastia anterior. Pode ser realizada por via aberta ou via artroscópica.
Técnica Aberta: requer uma incisão pequena na frente do ombro, permitindo a visualização direta do acrômio e do manguito rotador.
Técnica Artroscópica: duas ou três incisões puntiformes são realizadas, e a articulação é examinada através de uma lente de fibra óptica conectada a uma microcâmera de televisão. Pequenos instrumentos são utilizados para a remoção do osso e da bursa.
Na maioria dos casos a parte frontal (anterior) do acrômio é removida juntamente com a bursa. O cirurgião pode tratar outras patologias presentes no ombro ao mesmo tempo da cirurgia para a síndrome do impacto. Isto pode incluir artrite acrômioclavicular, tendinite do bíceps ou uma ruptura parcial do manguito rotador.
Reabilitação
Após a cirurgia, o braço é colocado em uma tipóia por um período curto. Isto permite uma cicatrização precoce. Quando sentir-se confortável, o paciente pode remover a tipóia e iniciar exercícios e utilizar o braço. O cirurgião deve fornecer um programa de reabilitação conforme os achados durante a cirurgia. Isto deve incluir exercícios para recuperar a mobilidade do ombro e a força do braço. Pode levar de 2 a 4 meses para o alívio completo dos sintomas.
Entretanto o tratamento fisioterápico se tornou essencial para pós operatórios de ombro, englobando tratamentos eletroterápicos visando amenização dos sintomas, diminuição dos edemas, melhora nas AVDs, ganho significativo de ADM, ganho de força muscular devido atrofia (imobilizaçao) entre outras. Portanto, é primordial a intervenção Fisioterapeutica nestes casos de Síndrome do Impacto.
Fontes:
* American Academy of Orthopaedic Surgeons.
* Stenio Guilherme Vernasque da Silva
* Diego M. Izumi


