Nova lei exige atestado médico semestral para frequentar academia

Desde maio, alunos de academias da cidade de São Paulo têm que se submeter a exames médicos semestrais, de acordo com a lei 11.383/1993, sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab.

Excesso de exames desestimula o aluno, diz médico do esporte

“Acho a medida um exagero que pode incentivar a busca por atestados comprados ou por consultas burocráticas só para cumprir tabela”, diz o fisiologista Turíbio Leite de Barros, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que defende os exames anuais. “A não ser em casos específicos, a avaliação anual é suficiente.”

As academias terão que manter os atestados médicos anexados às fichas dos alunos. O documento deve autorizar a prática de exercícios específicos, além de expor qualquer restrição física.

Checkup fitness

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Christian Tragni/Folhapress

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O estudante de educação física Allambergue Tavares, 25, em um simetrógrafo, aparelho utilizado para avaliar a postura, durante ‘checkup fitness’ na academia Bodytech, em São Paulo

E o não cumprimento da lei pode levar à multa e fechamento do estabelecimento, segundo a Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde), responsável pela fiscalização.

Para o cirurgião especializado em medicina esportiva Liaw Chao, ser avaliado a cada seis meses é benéfico: “A academia serve como porta de entrada para o consultório, convencendo pacientes relapsos, sobretudo homens, a se cuidarem melhor”.

Ao voltar para a ginástica depois de quatro anos parado, o empresário Ian Walace, 44, surpreendeu-se com a quantidade de testes que precisou fazer: “Antes era mais simples, só uma corridinha na esteira, uma medição de pulso. Achei melhor agora, passa confiança”, diz.

Mas não ficou animado quando descobriu que logo terá que repetir os exames posturais, cardíacos e neuromotores: “Achei exagerado, meu estado de saúde não vai mudar em um semestre”.

Preocupadas com a evasão de alunos por conta do aumento dos exames, academias como a Bodytech e a K2 colocaram médicos de plantão em suas unidades.

“Facilita a vida do aluno e garante que os exames sejam úteis tanto para a parte médica quanto para avaliar o desempenho”, afirma Daniel Gusmão, coordenador da rede de academias K2.

A facilidade tem seu preço. Nas unidades da K2, o aluno paga R$ 75 para fazer a avaliação médica. Se quiser fazer também a avaliação física, desembolsa mais R$ 150.

Na Bodytech, um “checkup fitness” que inclui testes médicos e físicos custa R$ 420.

MENOR DE IDADE

A nova lei obriga ainda que menores de 18 anos apresentem uma autorização dos pais ou responsáveis para frequentar a academia. Segundo o hebiatra Maurício de Souza Lima, do Hospital Sírio Libanês, ter que assinar o documento pode conscientizar os pais da importância de avaliar a atividade dos filhos.

Para o médico, o excesso de exercícios pode causar tendinite e comprometer as cartilagens. “Acho temerário um adolescente passar mais de uma hora na academia mais de três vezes por semana.”

A intensidade do exercício precisa ser controlada de acordo com o nível de crescimento. Musculação, só depois dos 16 para as meninas e dos 18 para os meninos.

Lydia Megumi/Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha

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